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11/01/2010

E lá vamos nós de novo...!

("Ah, mas quando a gente faz uma cena de amor termina amando um pouco o outro personagem. E quando a gente ama alguém de verdade também representa um pouco. A gente representa o amor que sente por aquela pessoa... E todo amor... é verdade... e... representação... ao mesmo tempo. *beijo*" Romance)

 

Boas tardes meus parcos – mas fiéis – leitores. Às vezes me pergunto porque levo a cabo este blog, se normalmente as pessoas só visitam ele quando são pegas por meu, digamos, veemente aviso de que ele está sendo atualizado. Nunca gostei muito de mostrar o que escrevo e um dos motivos desses posts com certeza é avisar pra mim mesma que continuo escrevendo, mesmo que eu não publique aqui o que eu produzo pra valer. Mas, além disso, eu escrevo pra falar o que ninguém nunca se interessou em perguntar sobre o que eu acho. Ser abusada de conteúdo, de público, de retorno. De vez em quando parece com jogar mensagens em garrafas... e eu continuo com essa certeza boba como fé que no fundo, de três mil e poucas visitas, alguém além de mim um dia realmente se interessa pelo que está escrito aqui e resgata meus relicários.

 

Faz muito, muito, muito tempo que eu falei de amor. Blargh. Kkkkk! Acho que porque eu só permito falar dele por aqui quando ele não se encontra na sala. Eu gosto de falar de amor pelas costas, de cochichar sobre ele pra que nunca descubra minhas intenções. Na época do último post sobre isso (escrevi algo sobre as janelinhas sem nada interessante) ele quase quase me surpreende mas, rááá... Tive tempo de guardar meu carderninho segundos antes do amor me apanhar de surpresa, rápido mesmo. E o assunto se ausentou, óbvio, foi impossível tratar dele enquanto – contrariando alguma lei defasada da física – ocupávamos o mesmo lugar no espaço.

 

Então, agora que não há mesmo nenhum risco dele me apanhar, voltei aqui pra ser melosa, piegas e, principalmente pouco original, vou logo adiantando. Quem quiser se retirar pra não ouvir, ou quiser ir atrás do amor, por favor, saia da sala digitando outro endereço naquela barrinha retagular logo ali acima! Obrigada. ^^

 

Não sei como foi pra vocês, mas eu gosto de histórias muito antes de me entender por gente. Todo o ímpeto do meu interesse nunca foi por quadros bonitos, boas melodias, brincadeiras legais: foi pela história. Desde pequena, fazia de tudo para ouvir (ou criar) uma história bem contada... Eu amava a história antes de amar a vida real, amava a história muito antes de aprender a amar qualquer outra coisa, como toda boa fingidora pessoana. Devo confessar que isso me confundiu muitas vezes; tive que separar o que eu sentia de verdade do apego pelas histórias que criava pra eu mesma deveras sentir.

 

Eu inventei minhas histórias de amor muito antes dele chegar, como um chamado. Como um telegrama sem destinatário. Ano após ano meus roteiros amareleciam na gaveta e, vez ou outra alguém ameaçava descobri-los, mas ninguém o fez. Nunca.

 

Aí ele pareceu ter chegado pra representar minha história e estava tudo pronto: palco, cenário, figurino, luz... Mas (eu preferia não ter descoberto porquê) foi embora correndo antes do primeiro ato, deixando meu teatro destruído. Eu desisti do amor, dos escritos, dos atores, até da beleza... e fui embora. Ninguém viu. Poucos souberam.

 

Voltei aos poucos e intensamente à calidez das histórias, só que elas não eram mais sobre mim: eu dispunha os fatos sobre outros... As boas tramas se desenrolavam sobre meus dedos tal as carícias de um amante que se desculpa e tenta reconquistar. Mas elas não iam me enganar novamente: eu tornei a história uma escrava, quase uma dama de companhia. E voltei à minha adoração de um jeito bem mais contido, que eu acreditava ser o melhor. A vida seria boa assim: eu e meu tear inventado. Ia dar certo, ia dar certo, eu sabia, eu acreditei nisso por um tempo incalculável, como uma mentira que se repete até virar verdade. Como um ensaio, sem que eu percebesse...

 

O amor chegou devastando meu ímpeto pelas histórias, pelos ensaios e roteiros e cenários. Chegou e fez entender que o escuro era melhor e a falta de figurino também. As minhas mãos estavam ocupadas demais para escrever histórias. Minha língua tinha coisas muito melhores pra fazer do que contar histórias. No fundo, ele me fez sentir uma péssima criadora (o que, lembrando de quão intensas eram as verdades que me contava, é muito provável, rs).

 

No fim das contas, eu vivi mais amor do que jamais teria conseguido criar. Mais do que teria merecido que me contassem. Mais até do que eu suportei assistir. Boas histórias, afinal, são para quem consegue acompanhá-las. Acho que eu não tive, no fim das contas, tanta bagagem.

 

O amor foi embora agora... Muito depois das luzes terem se acendido, mas ele foi. Me deixou aqui no mesmíssimo lugar com histórias inarráveis (vocês vão ter que me perdoar por isso). Me deixou para aprender de novo, para ler mais histórias, de novo de novo e de novo, incansavelmente, como um castigo.

 

Até que eu aprenda a nunca tentar submetê-lo a elas.

 

P.S.: Foto minha again. xD

 

Vacina na Veia_Ana Cañas

'The beauty of the sun
By and by, a cloud
Takes all away' (Shakespeare)

Se você olhar pra trás e sentir uma saudade
Não espere, não vacile
Vá em frente e volte atrás

O passado não condena, só talvez não viva mais
O passado não condena, só talvez não viva mais

Mas caso tenha esquecido levemente o ocorrido
Tá tudo aqui guardado para sempre ser lembrado

Uma mancada como aquela, a gente acaba esperta
Uma mancada como aquela, a gente acaba esperta

Vacina na veia para não cair na teia
Vacina na veia para não...

E não se faça de coitado, de esquecido ou de confuso
Aqui não tem otária, só mulher com a guarda em punho

Quando a coisa ficou preta, que vacilo, coisa feia!
Quando a coisa ficou preta, que vacilo, coisa feia!

Pra onde foi? Onde ficou aquela coisa verdadeira?
O forte ficou fraco, e do homem fez-se o rato

Mas um dia a sorte muda e o sacana vira Buda
A vida sempre ensina quem da sorte ainda precisa

Vacina na veia para não cair na teia
Vacina na veia para não


Escrito por Mel Andrade às 16h24
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07/01/2010

Da série: Cuidado com o que você deseja... Oo

("Levantamos desesperada e cegamente nossas mãos para o céu, para alcançar algo grande até lá, a para fixar nossos olhos sobre algo na escuridão, na imensidão do espaço."_5 centimeters per second)

 

Um dia, um amigo meu me ensinou a fazer retrospectivas de reveillóns. Ele dizia que, de acordo como você virava o ano, poderia achar um padrão que servisse como indicativo para o ano que estava entrando. Eu sempre achei isso meio besta, pra dizer a verdade, mas me peguei analisando nesse ano os tais padrões. Dei muitas risadas no processo, fiz isso pouco antes do dia 31 e tomei decisões. Deixem-me explicar melhor:

 

A virada de ano de 2006 para 2007 foi um porre: dentro de casa, tomando água, assistindo show da virada. A primeira coisa que pensei quando o ano virou foi: "Ai, minha caminha...". Abracei todo mundo e fui dormir. Resultado: Meu ano foi suuuuper corrido, cheio de aulas e festas, maravilhoso, conheci pessoas incríveis e comecei a namorar. OBA!

 

O reveillón de 2007 para 2008 foi surpreendentemente maravilhoso, muita praia, minha prima, sobriedade, fogos, virei o ano abraçando meu então melhor amigo e pensando: "Poxa, espero que a gente nunca se separe...". Resultado: foi o ano em que eu comecei a beber, passei (muito felizmente) grudada com o namorado, sem quase pisar em praia e perdi aquele amigo em algum lugar pelo meio do ano, eu suponho. Mas como o que os olhos não vêem o coração só enfarta dps, foi um ano ótemo.

 

2008 para 2009 foi, sem favor algum, a melhor de minha vida. Melhores amigos, beira-mar, amor, whisky e felicidade...!!! Pensei na virada: "Massa, painho do céu, vc é BEST, não falta mais nada!". Virei pro namorado, jurei amor eterno, abraços e beijinhos. Resultado: Cinco, e eu disse CINCO dias depois o namoro acaba. E 2009 ganha para o fatídico 2003 como o meu ano mais dark por milhões de motivos.

 

Enfim... revendo tudo isso pensei: Meeeeel, gatinha, cuidado na virada, se policie! Estava eu lá na casa de praia com a família, cheia de confusões e otimista porque afinal isso provavelmente me daria um ano excelente...xD Nada aqui, se bronzeia de cá, fomos ver os fogos numa cidade vizinha e saímos pra fazer isso 20 min antes da virada, mas tu reparou? Nem eu. Massa, dormi no carro e acordo com cutucões de uma amiga: "Mel, chegamos...". Acordei mal-humorada, me consertando no banco e murmurando pra mim mesma: "Porra, que merda, ó vei, pelo menos 2010 vai ser um ano bem feliz, assim espero...". Eis que, mal eu fechando a boca, meu tio solta: "ÓI, AS MENINA, MEIA NOITE E DEZ!!".

...

...

...

...

...

...

PUTA QUE PARIIIIIIU!!!!! ¬¬

.e tenho dito

 

Coração Vagabundo_Caetano Veloso

Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher

Passou por meus sonhos sem dizer adeus
E fez dos olhos meus
Um chorar mais sem fim

Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim...


Escrito por Mel Andrade às 17h43
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No waves on the sea, no clouds in the sky

("Entender que uma menina tinha mais coragem do que ela sabia... Não podemos chamar isso de felicidade?"_Memoirs Of a Geisha)

 

Oi oi, rs.

Ando perdendo milhares de coisas a dizer por falta de um caderninho por perto. É o caso do post de hoje, que só pude escrever hoje porque só lembrei ontem o que pensei e ‘escrevi’ em mais quase duas horas dentro do mar.

 

 

Eu acho que nunca mencionei o quanto gosto do mar. Claro, ele é deslumbrante, forte, impetuoso blá blá blá... Mas não acho que seja por isso. Apesar de ser um lugar bem aberto, é porque eu me sinto sinceramente sozinha lá. É como um grande banheiro (acho que eu já falei aqui como o banheiro é um lugar perfeito para reflexões), só que sem a parte das necessidades fisiológicas... Ops, esse não era bem o teor do post, divaguei.

 

 

O fato é que 2009 foi meu ano MAR, em quase todos os aspectos. Bem aventuradamente grande, angustiante, bonito e... vazio (ou cheio de água, se preferir, rs).  E em todo ano, o mar foi o único lugar no qual eu me senti em casa. De início, eu relutei; a praia tinha sido o último cenário dos meus melhores dias, eu não saberia como encaixar tudo. Mas eu fui e encontrei a água e o sal. Bem... dizem que água e sal são excelentes cicatrizantes (com o perdão da palavrinha já enfadonha) e banhos de água salgada lavam as más energias. Seja o que for que tenha acontecido, deu certo da primeira vez. E aí qualquer folguinha, qualquer dois reais que eu tinha na carteira, estava na praia. Para os esperançosos de plantão: Nãããão, galera, minha pele continua tão branca quanto antes, talvez um pouco mais pra Taís Araújo (depois de um banho de Teiú, dirão as más linguas).

 

 

Ok. Eu estava tentando fazer um post mais sério, voltemos para a linha acima: o mar. Ele que muda tanto com as fases da lua e começou meu ano de 2009 com uma lua nova (sem comparações com blockusters, sure), e eu que nunca tinha tido medo de escuro, entrei em pânico, afinal guys, eu estava no mar! Mas as semanas passam, a água lava o que deve mandar embora, e o que era uma unha de luz no céu, agora ilumina toda a praia. Eu já posso ver a areia macia claramente, já posso tocar ela com os pés.

 

 

Ainda estou no mar, é claro. Aqui é o lugar mais aconchegante do mundo. Já amanheceu, a balbúrdia começa da praia, rostos conhecidos sorrindo, montando guarda-sóis. Parece que vai começar um dia lindo, rs. Depois da noite de lua cheia, tudo está calmo. A água está quente por fora mas ainda enregelante por dentro. Quem se importa com eles, com amores e saudades com um dia desses xD? Não há nenhuma onda no mar e nenhuma nuvem no céu.

 

 

E agora, me dêem licença, eu vou sair de dentro d’água.

 

 

P.S.: Sim, é uma foto minha, perdão pela qualidade, só tínhamos a luz da lua e um ISO 800.

P.P.S.: Detalhes sobre minha virada de ano, coming soon.

 

 

 

Versos Escritos N'Água_Dorival Caymmi

Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão.

Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...

Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou.

 


Escrito por Mel Andrade às 00h45
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18/12/2009

Férias em Estocolmo

("Dear Jeremy, in the last three days I've been learned had a not trust people. And I'm glad I failed." My Blueberry Nights, 2007)

 

Rááááá! Estou de férias!!!! Dou um tempinho nos posts de teor levemente literário por aqui para falar bem alto sobre minha ENORME felicidade por estar de férias *_*!! Não que eu não tenha várias folgas durante o ano, quem estuda em universidade pública sabe bem o que é isso, nem que o semestre tenha sido mais estressante do que o comum. É que o ano tá acabando e (neste momento serei piegas) parece que as coisas confluem para o fechamento de mais um ciclo, o pior deles. Pela primeira vez desde algum tempo já, a brisa mormacenta do escaldante verão *do inferno* baiano traz uma leveza desconcertante.
 Não tenho planos espetaculares para meus dias de folga, pelo contrário, é o de sempre: ficar sem dinheiro, visitar papai em Texas City e ver amigos que moram longe - não necessariamente nessa ordem. Me peguei ontem num momento mais piegas ainda, fazendo planos pro futuro. E fazendo um balanço sobre mim, nestes últimos tempos - uma coisa bem NATAL/REVEILLÓN/SIMONECANTANDO mesmo.
 Por causa de uns ou outros processos aí, me sinto com a idade mental de quando eu tinha treze anos, ou seja, 45, rs. É, eu sei, eu achava que isso não funcionava tanto e me tornava meio antissocial aos treze, mas hoje anda funcionando que é uma beleza. Pra quem me conheceu depois dos 15, se fudeu: só o nome do registro ainda é o mesmo.
 Enfim, natal novo, ano novo, fim de ano na praia com a família. Pedidos para o Papai Noel: um fusca, um emprego, e um amigo decente (é, daqueles que não querem te comer a cada encontro ou daqueles que não querem fuder com sua vida na primeira desilusão amorosa). Promessas para o Ano Novo: mais vídeos gravados, Iniciação Científica, e dez quilitos a menos (= uma barriguinha de fazer inveja a qualquer brush do photoshop xD).
 AHHHHHHH MUNDO, ME AGUARDE...!

 

Fiquem aí com o mestre e grande companheiro do ano: Moska!

 

Um Móbile no Furacão_Paulinho Moska

Você diz que não me reconhece, que não sou o mesmo de ontem
E que tudo o que eu faço e falo não te satisfaz
Mas não percebe que quando eu mudo é porque
Estou vivendo cada segundo e você
Como se fosse uma eternidade a mais
Sou um móbile solto no furacão...
Qualquer calmaria me dá... solidão
Na última vez que troquei meu nome
Por um outro nome que não lembro mais
Tinha certeza: ninguém poderia me encontrar
Mas que ironia minha própria vida
Me trouxe de volta ao ponto departida
Como se eu nunca tivesse saído de lá

Sou um móbile solto no furacão
Qualquer calmaria me dá... solidão

Quando a âncora do meu navio encosta no fundo, no chão
Imediatamente se acende o pavio e detona-se minha explosão
Que me ativa, me lança pra longe pra outros lugares, pra novos presentes
Ninguém me sente...
Somente eu posso saber o que me faz feliz
Sou um móbile solto no furacão
Qualquer calmaria me dá... solidão


Escrito por Mel Andrade às 22h10
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29/11/2009

Ela aluou!

("No final desta noite decidi ir pelo caminho mais longo para atravessar a rua."_My Blueberry Nights, 2007)

 

Porque às vezes dor é honra, e honra rulez. Sem mais. xD

 

Milagreiro_Djavan/Cássia Eller

Agora vamos ter os girassóis
do fim do ano
e o calor vem desumano
tudo irá se expandir
crescer com as águas
quiçá, amores nos corações
e um santeiro,
milagreiro
prevê a dor
de terceiros
e diz que a vida
é feita de ilusão
e um santeiro,
milagreiro
prevê a dor
de terceiros
e diz que a vida
é feita de ilusão
aquela que um dia o fez sonhar
se foi com o outro
no dia em que os dois
se casariam por amor
ele aluou
hoje o seu pesar
cintila nos varais
usou as sete vidas
e não foi feliz jamais
toda a imensidão
passou pela vida
e foi cair na solidão
mais um santo para esculpir é o que lhe vale
pra evitar que o rancor suas ervas se espalhe


Escrito por Mel Andrade às 02h11
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.das coisas nada casuais

("Moça, tá tudo bem por aqui?"_Policiais ao me verem voltando pra casa, a pé, às duas da manhã acompanhada de um amigo. Negro.)

 

Hoje é o dia das aspas. O texto a seguir foi postado no twitter, dia 20, por Lívia Natália. Professora Doutora, negra, mulher. @twilily:

 

 

"Hoje é um dia para compreendermos que não somos todos iguais. Somos absolutamente diferentes. A idéia apaziguadora de uma 'raça humana' não me defende do tratamento racializado que recebo no mais fino de meu cotidiano. Quando me olham estranho, me julgam menor, não me deixam entrar, é de raça que falamos. Quando ofendo por não ocupar o lugar que tantas outras mulheres negras ocuparam: de serviçal, de obediente, de mero corpo submisso e gregário isso se dá pela questão racial. Que se corporifica e representa na minha pele escura, no meu nariz achatado nos meus lábios grossos, nos meus cabelos crespos. Sou negra. Sou diferente. Não admito ser mais uma na longa colcha de retalhos deste país pensado, muito convenientemente, como mestiço. Eu sou sistematicamente direcionada a pensar que não existe racismo no Brasil, na Bahia, mas o meu corpo sabe, minha mente não sairá da frente de batalha, enquanto a batalha não acabar.


Não quero o tratamento desigual que hoje recebo. Não quero protagonistas ajoelhadas levando tapas na cara, nem ser o dono do carro e apanhar como se o tivesse roubado. Quero entrar no banco sem que a porta trave. Quero poder sair de casa com qualquer roupa, sem que isso defina se eu "poderia ser" a patroa ou a empregada, a cliente ou a funcionária. Não quero que queiram alisar meu cabelo, nem domar minhas palavras. Minha alma negra não aceita este contrato perverso de silêncio. Enquanto nascerem meninos e meninas negras sob contextos de inferioridade cultural, política e de dreitos, continuaremos lutando. Enquanto estivermos proibidos de entrar, enquanto formos julgados e condenados sem direito a defesa. Continuaremos a gritar. Queremos apenas o que é nosso direito. Começando pelo mínimo: o direito à vida - ampla, livre, feliz, cheia de horizontes!


Apesar de nossa luta, sei que meus filhos ainda passarão pelo que passei. E, sinceramente, não sei como será esta dor revivida. Mas espero que meus netos e netas não sejam julgados inferiores pela cor de sua pele. A luta é secular, é imensa. Mas temos força. Agora, o campo de batalhas é nosso. Lutamos todos dias. Mas diante desta força negra, quero ver quem vai resistir!"

 

Precisa de mais?    o/

 

Adão Negro_Adão Negro

A apartheid disfarçado todo dia
Quando me olho não me vejo na TV
Quando me vejo estou sempre na cozinha
Ou na favela submissa ao poder
Já fui mucama mais agora sou neguinha
Minha pretinha nós gostamos de você
Levanta saia, saia correndo para quarto
Na madrugada patrãozinho quer te ver oioi

Será que um dia eu serei a patroa
Sonho que um dia isso possa acontecer
Ficar na sala não ir mais para a cozinha
Agora digo o que vejo na TV

Um som negro
Um Deus negro
Um Adão negro
Um negro no poder


Escrito por Mel Andrade às 00h40
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28/11/2009

.das coisas casuais

("- Dizem que são cinco centímetros por segundo... - Humnn, o quê..?! - A velocidade com a qual a pétala de uma flor de cerejeira cai, cinco centímetros por segundo. Ei, de alguma forma, não acredita que lembra a neve...?"_5 centimeters per second, 2007, anime)

 

A brisa atenta destas tardes duras de novembro carrega minhas dissolutas palavras. Me sinto uma roteirista autobiográfica da mesma história que, se já não queria ler, que dirá assistir. Mas não posso exercer função mais interviente do que ser spoiler para meus próprios personagens: "Olha, você acaba mal! Eu nunca mais li finais felizes...". E Deus sabe como odeio spoilers, então não abro a boca. Deixo as coisas correrem como devem. Infelizmente existem coisas que caem mas rápido do que uma pétala de flor de cerejeira. Mas é mesmo despetalando que ela fica mais frondosa. E ela sabe...

 

P.S.: A música do dia é um apanhado geral e não só sobre o post acima. Eu acho linda.

 

O Mundo é Um Moinho_Cartola

 

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção: o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir tuas ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés


Escrito por Mel Andrade às 23h31
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09/05/2009

E eu quero é botar meu bloco na rua!!

("Outros se mataram. Outros foram mortos. Também passei por essa prova. Também tentaram me esganar em muito boas condições. Agora, saio de um túnel. Tenho várias cicatrizes, mas ESTOU VIVA.” - Pagú)

A noite finalmente desce sobre meus ombros, mas é de luz que ela se faz.  Não é uma luz fraca, daquelas de confissões na cama, daquelas com gosto de vinho barato nos lábios. Não é daquelas azuis raiando madrugadas, nem tampouco de sol em dia de chuva. É luz de sorriso largo, clarão de brasa acesa na garganta. Minha noite demorou; mas veio rodando seu vestido de gambiarras, me ofertou uma máscara bordada, estendi minha mão... e ela me carregou no colo pra que eu não adentrasse sozinha nesse carnaval. Eu estou bailando a passos largos nos braços da minha noite luminosa, de gargalhada alta e cheiro forte, que todo dia me recebe com uma máscara diferente.

Vamos bradar com paixão que a manhã deve ser esganada com um beijo! Vamos dar vivas à purpurina leve que escapa de nossos olhos! Vamos delirar com confetes coloridos!!

Porque hoje vou gemer no ouvido da noite que não sou mais posseira de meus desenganos.

 

Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua_Sérgio Sampaio

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca
Que eu fugi da briga
Que eu cai do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa
Mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Ginga pra dar e vender
Eu por mim queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo
Um grilo menos nisso
É disso que eu preciso
Ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval
Eu quero é botar meu bloco na rua...
Há quem diga que eu dormi de touca...
Há quem diga que eu não sei de nada...
Eu quero é botar meu bloco na rua...


Escrito por Mel Andrade às 01h48
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13/04/2009

Vilipendiado, incompreendido e descartado (e a dor é menor do que parece)

(How can I contain my emotions if every time I feel them, they overlfow?" ALMAQUATICA)

Quebram-se os aparatos de defesa, os mecanismos de contenção, baixa-se a guarda da memória neste não-lugar suspenso entre a umidade das velhas dores. Desta vez, no entanto, a umidade traz consigo o mormaço abrasador das boas lembranças. E se antes elas resguardavam meus olhos da tonalidade torpe e forte das coisas ao redor, hoje se fazem ruir dolorosa e ininterruptamente como um testemunho excruciante de minha fraqueza.

Tenho cara de culpada, jeito de culpada, verbo de culpada. MAS EU NÃO SOU. Não vou clamar por perdões que não me pertencem (onde não há pecado, também não há perdão), porque da última em que eu acreditei numa culpa que não era minha eu paguei uma divída que vale umas três encarnações e ainda perdi o crédito na praça. Já chega. Pode dizer que perdi o que for, já não tenho nada mesmo...

Hoje, com a boca em chamas, saboreio os cacos do que foi uma dessas boas histórias de amor. O amor acabou? Não. Mas eu me calo porque, quando a história acaba, não há nada mais que mereça ser contado.

Fica Melhor Assim_Roberta Sá

Eu vou você fica
Fica melhor assim
Meu Rio de Janeiro
Aceso atrás de mim.

Os mares são palavras
Que deixo pra você
Desenhe na areia
Uma frase até o fim.

Eu vou você fica
Fica melhor assim
Meu coração inteiro
Quer um outro só.

As luzes da cidade
Momentos que vivi
O mar vai apagar
Você dentro de mim.

Eu apaguei a luz do apartamento
Pra só voltar em paz depois de clarear o sol
Na tela branca da parede
Sem foto, sem cartaz, sem mais...


Escrito por Mel Andrade às 01h26
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07/04/2009

Uma noite longa pra uma vida curta.

("Talvez eu corte o cabelo, talvez eu fique feliz, talvez eu perca a cabeça, talvez esqueça e cresça sem você")

Crepúsculos pesados precedem madrugadas leves e caras. Caras aos olhos atentos e atentas aos olhos d'O cara. E muito embora essa leveza algodão-com-corante quase "diabetifique" minhas madrugadas de sorrisos e leitE quentE (ao qual, reitero, prefiro adicionar chocolate xD), o âmbar dos meus olhos ainda está preferindo conferir o estoque de sentimentos com semitons taciturnos e pesados.

Lembrei de um filme que assisti certa vez chamado "Lembranças de um Verão" ("Hearts in Atlantis"), onde um menino conhece o novo vizinho (interpretação massa de Antony Hophkins) que deseja perpetuar ao máximo a inocência dele e mostra a importância de se aproveitar ao máximo as impressões do olhar infantil sobre o mundo. Em contrapartida, a mãe desse menino insistia num "amadurecimento" rápido e começa a desconfiar das intenções do velho para com seu filho... Esse filme me marcou não só pela minha queda (ribanceira) por filmes saudosistas, mas pela imagem da mulher que tenta seguidamente desvirtuar a pureza (P.S.: não é a mesma coisa que ingenuidade) do filho, como se isso fosse uma etapa necessária ao amadurecimento. Não é. Mesmo. Essa perda nada mais é do que a degeneração quase inevitável da ternura. E compreende, necessita, de negros estímulos externos.

Que dizer? Fui abatida em plena corrida pela confiança. Nunca mais pureza; ao invés disso, me cubro no outono âmbar e ando sem pressa pra divisar um clarão nessa meta que já não clama por coisa alguma.

("Talvez eu mate o que fui, talvez imite o que sou, talvez eu tema o que vem, talvez te ame ainda sem você")

 

Childhood's End_Pink Floyd

You shout in your sleep.
Perhaps the price is too steep.
Is your conscience at rest
If once put to the test?
You awake with a start
To just the beating of your heart.
Just one man beneath the sky,
Just two ears, just two eyes.

You set sail across the sea
Of long past thoughts and memories.
Childhood's end, your fantasies
Merge with harsh realities.
And then as the sail is hoist,
You find your eyes are growing moist.
All the fears never voiced
Say you have to make your final choice.

Who are you and who am I
To say we know the reason why?
Some are born; some men die
Beneath one infinite sky.
There'll be war, there'll be peace.
But ev'rything one day will cease.
All the iron turned to rust;
All the proud men turned to dust.
And so all things, time will mend.
So this song will end.


Escrito por Mel Andrade às 01h59
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08/03/2009

- Porque já tranquei as portas e escondi a chave

("No meu peito catolaico tudo é descrença e fé...")

________________________________________

É mais ou menos isso aí. Precária e resumidamente; a dicotomia que me engolfa nesse pseudodespertar. Não se tem notícias sobre estas paragens abandonadas de subconsciente, ou seja, não se sabe se isto é o fim de um grande pesadelo ou o real e indesejado fim do melhor dos sonhos. É... cuspi na cara do velho Morpheus.

Aí... aí é isso. Você não abre os olhos porquê quer (vide Clockwork Orange), mas quando o faz é dor, é amizade, é engolir o coração e seguir em frente.

Mas o despertar tem filmes. Tem melhores amigos morando longe. E ônibus lotados que dariam excelentes sitcom's. E bate-cabeças que terminam em MPB, whisky e Salt com patê. E chuchus com gosto de cereja.

E o bom o justo Sandman se apressa para transferir o sonho que um dia foi meu aos olhos de uma nova merecedora. E só me resta desejar que ele continue lindo, doce e intacto... como sempre permanecerá no lugar mais sereno de meu templo.

E quanto a mim, me rendo à fé.

 

A Idade do Céu_Paulinho Moska

Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...

Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu...


Escrito por Mel Andrade às 21h54
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30/12/2008

"Vai sem duvidar, mas se ainda faz sentido vem..."

("Era difícil olhar nos olhos dele, sabendo que eu o amava. Isso fazia mais diferença do que eu teria pensado. Eu me perguntei se teria sido sempre assim tão difícil pra ele, todo esse tempo.")

Um dia de sol, uma felicidade que arde como fogo de levantar mil balões coloridos. Sorriso sem pra quê no canto da boca e beijos derretedores de brios... Coisas assim tão preciosas podem ser alvo fácil de cobiça alheia e, volta ou outra, você se depara pensando no que poderia ter feito pra evitar que alguém viesse e simplesmente levasse aquilo num saco de alinhagem, enquanto você dormia.

_____           

Acorda pela manhã e ouve o barulho áspero da chuva. Ainda sem abrir os olhos, sente a água levantar o cheiro de ferro do chão e escapa da sua boca uma risadinha cínica, que graceja com o fato de não saber se o cheiro vem da terra lá fora ou do metal pesado com o qual se constituem seus órgãos internos. A dificuldade pra se pôr de pé provavelmente advem disto; aliás, você não consegue se lembrar a última vez em que realmente ficou de pé, de cabeça erguida, encarando o que quer que fosse. O desjejum decorre com a mesma naturalidade de respirar, sem perceber o que está mastigando, embora lá pela metade você repara que aquilo está mais salgado e molhado do que deveria ser. Enxuga os olhos com as costas das mãos, e desiste da outra  metade do pão dormido.

A mesma matéria que constitui os sonhos deve direcionar os planos e anseios. Você não saberia. Qualquer lampejo de futuro que perpasse seus olhos é feito de argamassa dura e cinza, e a única coisa que constrói é uma enorme parede à sua frente, minuto após minuto. Talvez você pudesse vislumbrar algo além dessa barreira. Você não saberia. Não tem pra quê levantar a cabeça. O chão molhado formas poças interessantes, poderia passar o resto de seu dia vendo as nuvens cor de chumbo refletidas nelas. Eventualmente, alguma poderia te refletir. Você não saberia. Não se lembra de ter um rosto.

No breu do fim dos dias, as raízes mortas nas paredes sugerem que já houve descuido ali dentro. Hoje é úmido e os fungos se alimentam daquilo que jaz dentro de você. Percebe que a noite que parecia fria, traz uma brisa quente que não lhe pertence, pois é você quem congela solitário. E ao perceber-se, cessam todos os movimentos. Você é uma escultura de gélida, imóvel, ao não ser pelas lágrimas que formam estalactites deformando sua face. E pelo coração que ameaçará explodir dentro de sua garganta a partir de hoje, por toda uma eternidade.

L'aventura_Legião Urbana

Quando não há compaixão
Ou mesmo um gesto de ajuda
O que pensar da vida
E daqueles que sabemos que amamos ?

Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria
Não se pode fechar os olhos
Não se pode olhar pra trás
Sem se aprender alguma coisa pro futuro

Corri pro esconderijo
Olhei pela janela
O sol é um só
Mas quem sabe são duas manhãs

Não precisa vir
Se não for pra ficar
Pelo menos uma noite
E três semanas

Nada é fácil
Nada é certo
Não façamos do amor
Algo desonesto

Quero ser prudente
E sempre ser correto
Quero ser constante
E sempre tentar ser sincero

E queremos fugir
Mas ficamos sempre sem saber

Seu olhar
Não conta mais histórias
Não brota o fruto e nem a flor

E nem o céu é belo e prateado
E o que eu era eu não sou mais
E não tenho nada pra lembrar

Triste coisa é querer bem
A quem não sabe perdoar
Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais

Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente, nem é verdade

Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender
Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender


Escrito por Mel Andrade às 10h23
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“E mentir é fácil demais...”

 ("Será como se eu nunca tivesse existido")

Doenças letais não deixam brechas para esperanças, mas a cura é mais frequente do que se imagina.

Quando você sofre uma lesão, em qualquer lugar do corpo, seus tecidos se regeneram formando ligações mais fortes naquele ponto exato, do que eram originalmente.

Muita biologia ultimamente, né? Você sabe que eu amo biologia.

           

Venham todos, aqui tem sorrisos sinceros destilados! Ilusórios. Embriagadores. Pelo menor preço do mercado.

           

Caro D.

A vida no monastério corre agora com algumas complicações. Para quem procurava repouso e paz nestes dias conturbados, tenho me visto rogar aos deuses por silêncio. Não apenas dos decibéis frívolos e intoleráveis daqueles que insistem revolver a vida alheia, mas também a natureza atormentada que ressoa em surrusos inaudíveis para outrem (mas em mim clamam por bravatas que nunca virão).

Pra você, meu bom amigo e grande amor, reservo meus olhos saudosos, com os quais ouço, leio, respiro, escrevo missivas e a cada dia mais se tornam livres da dor que acomete todo o resto a minha volta. Não posso dizer que minhas lágrimas congelaram no processo, porque gelo derrete à menor proximidade de calor. Mas afirmo que, nos últimos dias olhei profundamente nos olhos da medusa, numa tentativa frustrada e inútil de salvar algo que já havia se perdido há muito. Agora que o ímpeto heróico desmedido deixou de ser a minha medida primária de todas as coisas, tento conservar somente pra você meu coração em carne viva.

 A cada vez menos tua nem de ninguém,

 Eu.

Mil Pedaços_Legião Urbana

Eu não me perdi,
E mesmo assim você me abandonou...
Você quis partir, e agora estou sozinho
Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa, com um prato só na mesa.
Eu não me perdi,
O Sândalo perfuma o machado que-o feriu
Adeus, adeus ,adeus meu grande amor.
E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,
e a saudade mais bonita.
Eu não me perdi,
e mesmo assim ninguém me perdoou..
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom.
Não sei por quê acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser: Vou fugir dessa dor.
Meu amor
se quiseres voltar - volta não

Porque me quebraste em mil pedaços.


Escrito por Mel Andrade às 10h09
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Longe, do meu lado

 

Até segunda ordem, decreto que a felicidade é o desejo humano firmado numa casa de pau-à-pique num morro alagado de Santa Catarina. "Precário, provisório, perecível".

Haveria de ter uma placa, um aviso informando que preço você está disposto a barganhar pra abrirem os portões do reino dos bobos da corte. O reino absurdo do exagero. Da superlativação sentimental. Da caricatural tragédia.

As cicatrizes são formadas através da flagelação imposta por um fator ou agente externo. Vide facas, armas de fogo, punhais incrivelmente perfurantes ou até bactérias que carcomem o organismo e, depois de curados, formam as tais cicatrizes.  Agora veja bem, cherrié, elas só se formam depois da cura de uma eventual ferida. Não antes. Cicatrizes não provocam dor, algumas podem coçar de vez em quando, e te provocam no máximo uma boa risada. Você tem o direito de conservá-las ou partir para o cirurgião plástico mais próximo. Não se remove nenhuma no grito.

A retirada de um pedaço vital não se compara à cicatrizes. Quando foi que você se deu conta que seu coração batia? Que você não poderia, se lhe apetecesse, mandar seus pulmões para um tour no ar fresco das montanhas? Não adianta gastar o resto dos seus dias se convencendo de sua vitalidade sorridente se, numa bela manhã de chuva, lhe retiram o que lhe mantém de pé. Não fica uma ferida, não. Feridas cicatrizam. Cicatrizes são removíveis. Nao fica nada. Nem você, nem suas cicatrizes, nem suas idéias bobas e pensamentos confusos.

Quando os répteis trocam de pele, seu organismo cria uma nova pele por baixo da velha. Quando estão prontos, eles deixam a pele inteira em algum lugar, e seguem com sua nova pele no mesmo corpo de antes...

Eu viveria apenas com a pele. O vácuo. Sem corpo, feridas, cicatrizes ou dor. Só o sorriso (impressão da pele morta), desejo pálido de uma felicidade de pau-à-pique.

 

Longe do meu lado_Legião Urbana

Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique a meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado

A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado

Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado


Escrito por Mel Andrade às 02h55
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26/06/2008

"E no final, assim, calado, eu sei que vou ser coroado rei de mim!" (DE ONDE VEM A CALMA_Los Hermanos)

***Há muito tempo não venho aqui. Pouco mais de oito meses pra ser mais exata. A idéia de dar uma continuidade à pensamentos parecia um pouco fora de lugar, visto que estes se encontravam em revisão profunda. Saí, enfim, do estado casulóide para uma perspectiva de deslumbre com muitas e novas situações, que reconfiguraram profundamente (de novo! =D) minha forma de pensar e interpretar as coisas. Agora voltei... não sinto que tenha abandonado este blog, como outros, escrevi vários posts que talvez não sejam publicados. As voltas pedem sempre uma recontextualização, mas desta vez (diferente das outras), escreverei muito menos cotidianamente. Embora de um jeito muito mais pessoal.***

ouvidizerdoteuolharaoveraflorasfloresdeplásticonãomorremumaflorcomsinoumacanção

--Cadê vocês no meu retalho do caleidoscópio? Ahn?/--Ora! Fugiram por uma fresta de vidro...Que querias?/--Mas se ainda vejo os reflexos é porque.../--É porque cultivas apenas pedaços, ora ora ora... Onde está a metade do caleidoscópio?/--Levaram.../--Pois todos saíram pelo outro lado, ooooora!/--Oh, mas é tão perigoso... Eles poderiam ter se machucado!/--Poderiam ter morrido, retalhados como teu caleidoscópio, ora, se esvaindo em.../--SANGUE! Estou coberto de...então... eles se.../---Ora, pois, que não. O sangue é teu. É tú que estás indo./--E você? Alguém que volta pra me buscar?/--Não, sou a metade perdida de teus espelhos. Vim lhe coroar, ora, finalmente, como sempre desejastes, posseiro e senhor único de teu caleidoscópio. (e sem luz, acaba a lisergia da clausura).

 

Flor da Pele_Zeca Baleiro

Ando tão à flor da pele,
Qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele,
Que teu olhar "flor na janela" me faz morrer
Ando tão à flor da pele,
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele,
Que a minha pele tem o fogo do juízo final

Um barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras suicido

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que não acredito mais em você
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
Mas vou tomar aquele velho navio
Aquele velho navio

 


Escrito por Mel Andrade às 19h35
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