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14/09/2011

.canção das horas

Meu bem, estou atrasada para ser aquilo que combinamos. Nem sei se você vai querer me perdoar por ter pés pequenos demais pro tamanho desse anseio. Talvez... e se eu espalmar o caminho? Se eu sangrar a linha do mundo e rasgar todos os mapas, me esperaria na beira do atalho?

Não é fadiga, é que eu acabei esquecendo meu sorriso mais pesado na sua bagagem, mas a leveza não me serve se não posso voar ao seu encontro. Meus olhos, indiferentes ao esforço, fazem questão de só repousar em sua silhueta.

Seu desejo pegou carona nos ponteiros e a cada minuto pertence a um horizonte diferente. Creio que quando virei as costas, aqueles surrurros mágicos na minha nuca, na verdade, me sopraram para longe. Agora não tenho rota, só fujo do desencontro amargo, da renúncia de caminhar.

Meu bem, acho estou atrasada pra ser aquilo que combinamos porque parei para reparar o tempo.

Me espera? Não sei quando chego dentro de ti, mas espero que você também não tenha chegado ainda.


(...)
Ela andou e eu fiquei ali
Ou será que fui eu que dali mudei
Com uns passos mudos
De uma reticência?

Ela me olhou bem
Quem sabe com ela
Eu teria achado
O que sempre me faltava
Cores, colagens, sons, emoção!

Se eu não posso ser
Fico imaginando
Eu fico imaginando (...)


Escrito por Mel Andrade às 01h52
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29/08/2011

.aquarium


Eu penso em correr do canto
Mas não rasgo minha rede
O som, solitário, enlouquece
Ecoando nas paredes
Borbulho em morse o acalanto
Arremesso o fio da vida
Pra pescar um desenredo

E na fisgada, surpresa:
OH FUCK
mordiscaram meu segredo.


Escrito por Mel Andrade às 09h48
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31/07/2011

.desses dias

pra horas em que o amargo se anuncia
pra pouca fome, antropofagia
pra corroer a cela, anistia
se o peito dista o sol à revelia,
tem dias que só eu e a poesia.


Escrito por Mel Andrade às 02h41
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27/07/2011

About dreams and bonfires

("You're alight again, my dear... I will lead the way, oh, lead the way when I know..." Cherbourg_Beirut)

Não era um despertar, mas tinha uma chama miúda escondida nos passos, e tinha essa mania feia de ser sonâmbula no mundo das verdades. Os sons lá de fora tocavam silêncio numa frequência que os tornava substrato do mundo que era real, e seu corpo se içava com impulso de um sorriso matinal regado a café. Não era um despertar, mas tinha uma chama miúda escondida nos olhos, e aquela fome de impossível presa nos dentes, e meia dúzia de palavras despetalando pelo pulso.

Dizem que para a adormecida - que nunca quis fazer as vezes de bela - só estava reservado o mundo além das pálpebras, além das trevas, das fronteiras breves de seu leito gasto. Mas eles não ascendiam acima de suas muralhas, não cruzavam seu jardim de estrela, ignoravam o delírio de dentro e o balouçar febril das suas temeridades. Eles não sabiam que, no adiantado da hora, onde o estalo das coisas clica as chaves da nuca (quase como fazer cafuné num segredo sagrado), ela caminhava nas areias do sonho e no chão duro da casa. Sem peso, nem pesares.

Não era um despertar. Mas tinha esse fogo tímido corroendo as beiradas do medo e tinha essa mania feia e incendiária de querer sentir.

A Moça do Sonho_Chico Buarque

Súbito me encantou
A moça em contra luz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez

Por encanto voltou
Cantando à meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais


Escrito por Mel Andrade às 06h08
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18/09/2010

-"Mas por que falas sempre por enigmas...??" -"Eu os resolvo todos."

"Esta noite ... tu sabes ... não venhas." (O pequeno príncipe)

Desde há muito, o chão é a morada dos meus dissabores. Quando olho para baixo, quando olho pro além linha, veste-se em mim uma menina branda de pés descalços. Mas o chão dessa terra é deserto, moço. A língua de fogo se agarra em minha caminhada e cobra seu pedágio de sangue.

Minha cordas também queimam, moço. Toco nelas o mesmo chamado constante, inútil e necessário como a matéria de qualquer esperança. Um sopro que ecoará calidamente pela vida do próximo oásis, viajando no primeiro grão de areia que tocar meus olhos.

Eu não sou daqui, moço. Eu não sou feita da lama grave que cobre meu corpo. Pertenço a um segredo maior, desses que nem sussurados. Afundo na terra, parece feio, parece quase, parece fim.

Mas agora não tenha medo do escuro moço, tenha não. Meu sorriso evapora com a última lágrima do sol, e eu sou somente astro, eu sou caminho, eu brilho ao longe.

Eu não sou daqui moço. Minha terra é de luz e o senhor me dê licença, que agora eu preciso achar o rumo de casa.

Black Star_Radiohead

I get home from work
And you're still standing
In your dressing gown
Well what am I to do?

I know all the things
Around your head
And what they do to you

What are we coming to?
What are we gonna do?

Blame it on the black star
Blame it on the falling sky
Blame it on the satellite
That beams me home

The troubled words
Of a troubled mind
I try to understand
What is eating you

I try to stay awake
But its 58hrs since
That I last slept with you

What are we coming to?
I just don't know anymore

Blame it on the black star
Blame it on the falling sky
Blame it on the satellite
That beams me home

I get on the train
And I just stand about
Now that I don't think of you

I keep falling over
I keep passing out
When I see a face like you

What am I coming to?
I'm gonna melt down

Blame it on the black star
Blame it on the falling sky
Blame it on the satellite
That beams me home

This is killing me
This is killing me

 

 


Escrito por Mel Andrade às 03h21
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25/08/2010

coming back home

("No fundo, você é que é a farsa. Eu duvido que você se lembre dos momentos marcantes." Apenas o Fim)

O mar é um novelo a desfiar minha ladainha constante. E eu deturpo tudo e tudo me têm e se trata de eu. Mas qual o quê eu não acredito, e ainda como aquele pedaço de isopor que flutuou pra iemanjá a tantos anos, você volta.

E volta. Não na superfície. Não arrepia na lua que gela, subcutânea. Não mordisca meu dia encarnado. Não rompe meu vestido flébil.

Você volta como brisa que apaga evidências, desarranja dunas e confunde e faz perder. Volta como vento que mexe o mar de meu discurso eterno. Volta como estrela-do-mar, perdido na areia que faz pesar meus olhos.

No dicionário que eu nunca consultei, sinto que “Amor” rima com “Sebastião”.


Bem Que Se Quis_Marisa Monte

Bem que se quis
Depois de tudo
Ainda ser feliz
Mas já não há
Caminhos prá voltar
E o quê, que a vida fez
Da nossa vida?
O quê, que a gente
Não faz por amor?...

Mas tanto faz!
Já me esqueci
De te esquecer
Porque!
O teu desejo
É meu melhor prazer
E o meu destino
É querer sempre mais
A minha estrada corre
Pro seu mar...

Agora vem, prá perto vem
Vem depressa, vem sem fim
Dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando
Sobre o meu
Vem meu amor, vem prá mim
Me abraça devagar
Me beija e me faz esquecer...

Bem que se quis
Depois de tudo
Ainda ser feliz
Mas já não há
Caminhos prá voltar
E o quê, que a vida fez
Da nossa vida?
O quê, que a gente
Não faz por amor?...

Mas tanto faz!
Já me esqueci
De te esquecer
Porque!
O teu desejo
É meu melhor prazer
E o meu destino
É querer sempre mais
A minha estrada corre
Pro seu mar...

Agora vem, prá perto vem
Vem depressa, vem sem fim
Dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando
Sobre o meu
Vem meu amor, vem prá mim
Me abraça devagar
Me beija e me faz esquecer...

Bem Que Se Quis!...

 


Escrito por Mel Andrade às 13h42
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24/07/2010

My suicidal dreams

("Truth was her pride was bigger than her love.")

Ficar ali era uma batalha inacabável. E ela já não sabia contra quem. Esse era o grande problema, pois estar cega e ser pouco intuitiva não ajudava muito.

Esse seria o grande medo, sempre. Não saber o momento certo de pular.

Só resta o sonho.

E a esteira dura da verdade.

For No One_Lennon

Your day breaks, your mind aches,
You find that all her words of kindness linger on,
When she no longer needs you.
She wakes up, she makes up,
She takes her time and doesnt feel she has to hurry,
She no longer needs you.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.
You want her, you need her,
And yet you don't believe her,
When she says her love is dead,
You think she needs you.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.
You stay home, she goes out,
She says that long ago she knew someone but now,
Hes gone, she doesnt need him.
Your day breaks, your mind aches,
There will be times when all the things she said will fill your head,
You wont forget her.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.



P.S.: Calma, mundo, não quero me matar nem nada assim, ok?


Escrito por Mel Andrade às 02h04
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23/06/2010

sobre estrelas.

"Hoje eu tentei, por duas horas inteiras, escrever um afago que lhe chegasse feito um café, mas a questão é que ambos sabemos demais. Entendemos a distância selvagem entre fato e desejo."


Escrito por Mel Andrade às 14h11
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17/06/2010

Nightmares.

("Michael, Caroline asked me what I would say if I knew you could hear me. I said I do know: I love you. God, I miss you. And I forgive you." Remember Me)

[e aqui temos o primeiro post auto-censurado do HotChoc's]

A Bad Dream_Keane

Why do I have to fly over every town up and down the line?
I'll die in the clouds above and you that I defend, I do not love

I wake up, it's a bad dream, no one on my side
I was fighting but I just feel too tired to be fighting
Guess I'm not the fighting kind

Where will I meet my fate?
Baby I'm a man and I was born to hate
And when will I meet my end?
In a better time you could be my friend

I wake up, it's a bad dream, no one on my side
I was fighting but I just feel too tired to be fighting
Guess I'm not the fighting kind
Wouldn't mind it if you were by my side
But you're long gone, yes you're long gone now

Where do we go?
I don't even know my strange old face
And I'm thinking about those days
And I'm thinking about those days

I wake up, it's a bad dream, no one on my side
I was fighting but I just feel too tired to be fighting
Guess I'm not the fighting kind
Wouldn't mind it if you were by my side
But you're long gone, yes you're long gone now


Escrito por Mel Andrade às 01h33
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01/05/2010

E nada mais nos braços...

("Mas nada vai conseguir mudar o que ficou... Quando penso em alguém, só penso em você e aí, então, estamos bem! Nem desistir, nem tentar, agora tanto faz: estamos indo de volta pra casa..." Por Enquanto_Renato Russo)

Tinha escrito um texto enorme que agora me pareceu horrivelmente pobre. Elas duas sabem ele de cor. E no fim das contas, era só mais um punhado de poesia pra contar minha saudade imeeeeeensa.

Eu amo vocês.

(que gay T_T)


Para ver as meninas_Paulinho da Viola
Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído
Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito


Escrito por Mel Andrade às 04h07
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10/03/2010

.lutando sempre

("Por agora, só há uma certeza, uma permanência, que existe por que as outras alternativas são inviáveis.")

 

Do certo, fez-se de repente o desconjunto. E isso durou. Era um sol brilhante e pesado, molhado, ardendo um nome proibido no meio da garganta. Precisava de uma fogueira em algum lugar: acenderam-lhe velas sacras e miúdas. Foi o que puderam dar de si e isso bastou e salvou e ela foi grata. O sorriso forçado fez-se matéria de subsistência, assim como o prazer barato, a inteligência adormecida, a terapia constante do silêncio.
Não passou um dia em que não visitasse durante horas mundos paralelos, e ela nunca precisou de químicos. Bebia pra fazer descer o nome, o nome que ardia, proibido, no meio da garganta. Era o nome ou o whisky? Era o nome ou a fritura? Era o nome ou o veneno? O nome não deixou nada passar.
Buscou o caos e se tornou templo da balbúrdia. Correu, correu, correu pra ver o que nunca quis mas no fundo sempre acreditou. Cuspiu um coração (e o nome continuou lá). Morreu. Eles acenderam velas maiores, escuras, de luto. Ninguém entendeu quando levantou de cima das flores, sem um sorriso. Um nome ardia em sua garganta, pungente, mas não significava vida mesmo assim?
Então esperou... tinha vida, tinha corticóides e lembrava de um nome. Porquê-ele-não-partia?? O sol vinha voltando mas ela não se prestou mais a carregá-lo. Não carregaria nem mais a si mesma. Aspirou ar puro, e quando o ar bateu no nome, foi o som de um soluço... era saudade?
Não, não, não, não, não. O nome ainda era proibido. E ainda queimava.
Desceu ao mar e ele terminou o trabalho. Era o sal na boca, o sol leve, a chuva lavando sua língua e ela pensou no nome. E sorriu escondida em si.
E cantou cidades e ruas, e roupas e velhos sonhos. Mas o nome ainda ardia.

Saiu do mar e sorriu, muito. Se sentiu forte como sempre, como havia esquecido.  No costumeiro mel de seus olhos, uma leve acidez e um pouco mais de consistência no mundo abaixo de seus pés. Havia voltado. Com mais do que tudo. Agora tinha um nome e lembrava dele. Avisou que voltaria. Promessas são tão sagradas quanto nomes ardentes. E ela voltou...

O sarcasmo era dela, assim como a armadura, as madrugadas, as câmeras defeituosas e a notável carência de agasalhos. E havia o impronunciável, e o nome latejava rebelde, quente, mas sem machucar.
E depois de tanto – depois de um quase nada e de um quase nunca – ele veio. Sentado escondido no canto ou ao ar livre. Veio quase como uma liberdade rascante, mas era amor e era lágrima e era saudade.
E era um nome. Mas foi um beijo.

 

Conversa de Botas Batidas_Los Hermanos

Veja você, onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria o amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar

Veja você, onde é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem

Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

(Diz, quem é maior que o amor?)
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
(Vem, vamos além)
Vão dizer, que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair


Escrito por Mel Andrade às 22h16
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11/01/2010

E lá vamos nós de novo...!

("Ah, mas quando a gente faz uma cena de amor termina amando um pouco o outro personagem. E quando a gente ama alguém de verdade também representa um pouco. A gente representa o amor que sente por aquela pessoa... E todo amor... é verdade... e... representação... ao mesmo tempo. *beijo*" Romance)

 

Boas tardes meus parcos – mas fiéis – leitores. Às vezes me pergunto porque levo a cabo este blog, se normalmente as pessoas só visitam ele quando são pegas por meu, digamos, veemente aviso de que ele está sendo atualizado. Nunca gostei muito de mostrar o que escrevo e um dos motivos desses posts com certeza é avisar pra mim mesma que continuo escrevendo, mesmo que eu não publique aqui o que eu produzo pra valer. Mas, além disso, eu escrevo pra falar o que ninguém nunca se interessou em perguntar sobre o que eu acho. Ser abusada de conteúdo, de público, de retorno. De vez em quando parece com jogar mensagens em garrafas... e eu continuo com essa certeza boba como fé que no fundo, de três mil e poucas visitas, alguém além de mim um dia realmente se interessa pelo que está escrito aqui e resgata meus relicários.

 

Faz muito, muito, muito tempo que eu falei de amor. Blargh. Kkkkk! Acho que porque eu só permito falar dele por aqui quando ele não se encontra na sala. Eu gosto de falar de amor pelas costas, de cochichar sobre ele pra que nunca descubra minhas intenções. Na época do último post sobre isso (escrevi algo sobre as janelinhas sem nada interessante) ele quase quase me surpreende mas, rááá... Tive tempo de guardar meu carderninho segundos antes do amor me apanhar de surpresa, rápido mesmo. E o assunto se ausentou, óbvio, foi impossível tratar dele enquanto – contrariando alguma lei defasada da física – ocupávamos o mesmo lugar no espaço.

 

Então, agora que não há mesmo nenhum risco dele me apanhar, voltei aqui pra ser melosa, piegas e, principalmente pouco original, vou logo adiantando. Quem quiser se retirar pra não ouvir, ou quiser ir atrás do amor, por favor, saia da sala digitando outro endereço naquela barrinha retagular logo ali acima! Obrigada. ^^

 

Não sei como foi pra vocês, mas eu gosto de histórias muito antes de me entender por gente. Todo o ímpeto do meu interesse nunca foi por quadros bonitos, boas melodias, brincadeiras legais: foi pela história. Desde pequena, fazia de tudo para ouvir (ou criar) uma história bem contada... Eu amava a história antes de amar a vida real, amava a história muito antes de aprender a amar qualquer outra coisa, como toda boa fingidora pessoana. Devo confessar que isso me confundiu muitas vezes; tive que separar o que eu sentia de verdade do apego pelas histórias que criava pra eu mesma deveras sentir.

 

Eu inventei minhas histórias de amor muito antes dele chegar, como um chamado. Como um telegrama sem destinatário. Ano após ano meus roteiros amareleciam na gaveta e, vez ou outra alguém ameaçava descobri-los, mas ninguém o fez. Nunca.

 

Aí ele pareceu ter chegado pra representar minha história e estava tudo pronto: palco, cenário, figurino, luz... Mas (eu preferia não ter descoberto porquê) foi embora correndo antes do primeiro ato, deixando meu teatro destruído. Eu desisti do amor, dos escritos, dos atores, até da beleza... e fui embora. Ninguém viu. Poucos souberam.

 

Voltei aos poucos e intensamente à calidez das histórias, só que elas não eram mais sobre mim: eu dispunha os fatos sobre outros... As boas tramas se desenrolavam sobre meus dedos tal as carícias de um amante que se desculpa e tenta reconquistar. Mas elas não iam me enganar novamente: eu tornei a história uma escrava, quase uma dama de companhia. E voltei à minha adoração de um jeito bem mais contido, que eu acreditava ser o melhor. A vida seria boa assim: eu e meu tear inventado. Ia dar certo, ia dar certo, eu sabia, eu acreditei nisso por um tempo incalculável, como uma mentira que se repete até virar verdade. Como um ensaio, sem que eu percebesse...

 

O amor chegou devastando meu ímpeto pelas histórias, pelos ensaios e roteiros e cenários. Chegou e fez entender que o escuro era melhor e a falta de figurino também. As minhas mãos estavam ocupadas demais para escrever histórias. Minha língua tinha coisas muito melhores pra fazer do que contar histórias. No fundo, ele me fez sentir uma péssima criadora (o que, lembrando de quão intensas eram as verdades que me contava, é muito provável, rs).

 

No fim das contas, eu vivi mais amor do que jamais teria conseguido criar. Mais do que teria merecido que me contassem. Mais até do que eu suportei assistir. Boas histórias, afinal, são para quem consegue acompanhá-las. Acho que eu não tive, no fim das contas, tanta bagagem.

 

O amor foi embora agora... Muito depois das luzes terem se acendido, mas ele foi. Me deixou aqui no mesmíssimo lugar com histórias inarráveis (vocês vão ter que me perdoar por isso). Me deixou para aprender de novo, para ler mais histórias, de novo de novo e de novo, incansavelmente, como um castigo.

 

Até que eu aprenda a nunca tentar submetê-lo a elas.

 

P.S.: Foto minha again. xD

 

Vacina na Veia_Ana Cañas

'The beauty of the sun
By and by, a cloud
Takes all away' (Shakespeare)

Se você olhar pra trás e sentir uma saudade
Não espere, não vacile
Vá em frente e volte atrás

O passado não condena, só talvez não viva mais
O passado não condena, só talvez não viva mais

Mas caso tenha esquecido levemente o ocorrido
Tá tudo aqui guardado para sempre ser lembrado

Uma mancada como aquela, a gente acaba esperta
Uma mancada como aquela, a gente acaba esperta

Vacina na veia para não cair na teia
Vacina na veia para não...

E não se faça de coitado, de esquecido ou de confuso
Aqui não tem otária, só mulher com a guarda em punho

Quando a coisa ficou preta, que vacilo, coisa feia!
Quando a coisa ficou preta, que vacilo, coisa feia!

Pra onde foi? Onde ficou aquela coisa verdadeira?
O forte ficou fraco, e do homem fez-se o rato

Mas um dia a sorte muda e o sacana vira Buda
A vida sempre ensina quem da sorte ainda precisa

Vacina na veia para não cair na teia
Vacina na veia para não


Escrito por Mel Andrade às 16h24
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07/01/2010

Da série: Cuidado com o que você deseja... Oo

("Levantamos desesperada e cegamente nossas mãos para o céu, para alcançar algo grande até lá, a para fixar nossos olhos sobre algo na escuridão, na imensidão do espaço."_5 centimeters per second)

 

Um dia, um amigo meu me ensinou a fazer retrospectivas de reveillóns. Ele dizia que, de acordo como você virava o ano, poderia achar um padrão que servisse como indicativo para o ano que estava entrando. Eu sempre achei isso meio besta, pra dizer a verdade, mas me peguei analisando nesse ano os tais padrões. Dei muitas risadas no processo, fiz isso pouco antes do dia 31 e tomei decisões. Deixem-me explicar melhor:

 

A virada de ano de 2006 para 2007 foi um porre: dentro de casa, tomando água, assistindo show da virada. A primeira coisa que pensei quando o ano virou foi: "Ai, minha caminha...". Abracei todo mundo e fui dormir. Resultado: Meu ano foi suuuuper corrido, cheio de aulas e festas, maravilhoso, conheci pessoas incríveis e comecei a namorar. OBA!

 

O reveillón de 2007 para 2008 foi surpreendentemente maravilhoso, muita praia, minha prima, sobriedade, fogos, virei o ano abraçando meu então melhor amigo e pensando: "Poxa, espero que a gente nunca se separe...". Resultado: foi o ano em que eu comecei a beber, passei (muito felizmente) grudada com o namorado, sem quase pisar em praia e perdi aquele amigo em algum lugar pelo meio do ano, eu suponho. Mas como o que os olhos não vêem o coração só enfarta dps, foi um ano ótemo.

 

2008 para 2009 foi, sem favor algum, a melhor de minha vida. Melhores amigos, beira-mar, amor, whisky e felicidade...!!! Pensei na virada: "Massa, painho do céu, vc é BEST, não falta mais nada!". Virei pro namorado, jurei amor eterno, abraços e beijinhos. Resultado: Cinco, e eu disse CINCO dias depois o namoro acaba. E 2009 ganha para o fatídico 2003 como o meu ano mais dark por milhões de motivos.

 

Enfim... revendo tudo isso pensei: Meeeeel, gatinha, cuidado na virada, se policie! Estava eu lá na casa de praia com a família, cheia de confusões e otimista porque afinal isso provavelmente me daria um ano excelente...xD Nada aqui, se bronzeia de cá, fomos ver os fogos numa cidade vizinha e saímos pra fazer isso 20 min antes da virada, mas tu reparou? Nem eu. Massa, dormi no carro e acordo com cutucões de uma amiga: "Mel, chegamos...". Acordei mal-humorada, me consertando no banco e murmurando pra mim mesma: "Porra, que merda, ó vei, pelo menos 2010 vai ser um ano bem feliz, assim espero...". Eis que, mal eu fechando a boca, meu tio solta: "ÓI, AS MENINA, MEIA NOITE E DEZ!!".

...

...

...

...

...

...

PUTA QUE PARIIIIIIU!!!!! ¬¬

.e tenho dito

 

Coração Vagabundo_Caetano Veloso

Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher

Passou por meus sonhos sem dizer adeus
E fez dos olhos meus
Um chorar mais sem fim

Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim...


Escrito por Mel Andrade às 17h43
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06/01/2010

No waves on the sea, no clouds in the sky

("Entender que uma menina tinha mais coragem do que ela sabia... Não podemos chamar isso de felicidade?"_Memoirs Of a Geisha)

 

Oi oi, rs.

Ando perdendo milhares de coisas a dizer por falta de um caderninho por perto. É o caso do post de hoje, que só pude escrever hoje porque só lembrei ontem o que pensei e ‘escrevi’ em mais quase duas horas dentro do mar.

 

 

Eu acho que nunca mencionei o quanto gosto do mar. Claro, ele é deslumbrante, forte, impetuoso blá blá blá... Mas não acho que seja por isso. Apesar de ser um lugar bem aberto, é porque eu me sinto sinceramente sozinha lá. É como um grande banheiro (acho que eu já falei aqui como o banheiro é um lugar perfeito para reflexões), só que sem a parte das necessidades fisiológicas... Ops, esse não era bem o teor do post, divaguei.

 

 

O fato é que 2009 foi meu ano MAR, em quase todos os aspectos. Bem aventuradamente grande, angustiante, bonito e... vazio (ou cheio de água, se preferir, rs).  E em todo ano, o mar foi o único lugar no qual eu me senti em casa. De início, eu relutei; a praia tinha sido o último cenário dos meus melhores dias, eu não saberia como encaixar tudo. Mas eu fui e encontrei a água e o sal. Bem... dizem que água e sal são excelentes cicatrizantes (com o perdão da palavrinha já enfadonha) e banhos de água salgada lavam as más energias. Seja o que for que tenha acontecido, deu certo da primeira vez. E aí qualquer folguinha, qualquer dois reais que eu tinha na carteira, estava na praia. Para os esperançosos de plantão: Nãããão, galera, minha pele continua tão branca quanto antes, talvez um pouco mais pra Taís Araújo (depois de um banho de Teiú, dirão as más linguas).

 

 

Ok. Eu estava tentando fazer um post mais sério, voltemos para a linha acima: o mar. Ele que muda tanto com as fases da lua e começou meu ano de 2009 com uma lua nova (sem comparações com blockusters, sure), e eu que nunca tinha tido medo de escuro, entrei em pânico, afinal guys, eu estava no mar! Mas as semanas passam, a água lava o que deve mandar embora, e o que era uma unha de luz no céu, agora ilumina toda a praia. Eu já posso ver a areia macia claramente, já posso tocar ela com os pés.

 

 

Ainda estou no mar, é claro. Aqui é o lugar mais aconchegante do mundo. Já amanheceu, a balbúrdia começa da praia, rostos conhecidos sorrindo, montando guarda-sóis. Parece que vai começar um dia lindo, rs. Depois da noite de lua cheia, tudo está calmo. A água está quente por fora mas ainda enregelante por dentro. Quem se importa com eles, com amores e saudades com um dia desses xD? Não há nenhuma onda no mar e nenhuma nuvem no céu.

 

 

E agora, me dêem licença, eu vou sair de dentro d’água.

 

 

P.S.: Sim, é uma foto minha, perdão pela qualidade, só tínhamos a luz da lua e um ISO 800.

P.P.S.: Detalhes sobre minha virada de ano, coming soon.

 

 

 

Versos Escritos N'Água_Dorival Caymmi

Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão.

Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...

Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou.

 


Escrito por Mel Andrade às 00h45
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18/12/2009

Férias em Estocolmo

("Dear Jeremy, in the last three days I've been learned had a not trust people. And I'm glad I failed." My Blueberry Nights, 2007)

 

Rááááá! Estou de férias!!!! Dou um tempinho nos posts de teor levemente literário por aqui para falar bem alto sobre minha ENORME felicidade por estar de férias *_*!! Não que eu não tenha várias folgas durante o ano, quem estuda em universidade pública sabe bem o que é isso, nem que o semestre tenha sido mais estressante do que o comum. É que o ano tá acabando e (neste momento serei piegas) parece que as coisas confluem para o fechamento de mais um ciclo, o pior deles. Pela primeira vez desde algum tempo já, a brisa mormacenta do escaldante verão *do inferno* baiano traz uma leveza desconcertante.
 Não tenho planos espetaculares para meus dias de folga, pelo contrário, é o de sempre: ficar sem dinheiro, visitar papai em Texas City e ver amigos que moram longe - não necessariamente nessa ordem. Me peguei ontem num momento mais piegas ainda, fazendo planos pro futuro. E fazendo um balanço sobre mim, nestes últimos tempos - uma coisa bem NATAL/REVEILLÓN/SIMONECANTANDO mesmo.
 Por causa de uns ou outros processos aí, me sinto com a idade mental de quando eu tinha treze anos, ou seja, 45, rs. É, eu sei, eu achava que isso não funcionava tanto e me tornava meio antissocial aos treze, mas hoje anda funcionando que é uma beleza. Pra quem me conheceu depois dos 15, se fudeu: só o nome do registro ainda é o mesmo.
 Enfim, natal novo, ano novo, fim de ano na praia com a família. Pedidos para o Papai Noel: um fusca, um emprego, e um amigo decente (é, daqueles que não querem te comer a cada encontro ou daqueles que não querem fuder com sua vida na primeira desilusão amorosa). Promessas para o Ano Novo: mais vídeos gravados, Iniciação Científica, e dez quilitos a menos (= uma barriguinha de fazer inveja a qualquer brush do photoshop xD).
 AHHHHHHH MUNDO, ME AGUARDE...!

 

Fiquem aí com o mestre e grande companheiro do ano: Moska!

 

Um Móbile no Furacão_Paulinho Moska

Você diz que não me reconhece, que não sou o mesmo de ontem
E que tudo o que eu faço e falo não te satisfaz
Mas não percebe que quando eu mudo é porque
Estou vivendo cada segundo e você
Como se fosse uma eternidade a mais
Sou um móbile solto no furacão...
Qualquer calmaria me dá... solidão
Na última vez que troquei meu nome
Por um outro nome que não lembro mais
Tinha certeza: ninguém poderia me encontrar
Mas que ironia minha própria vida
Me trouxe de volta ao ponto departida
Como se eu nunca tivesse saído de lá

Sou um móbile solto no furacão
Qualquer calmaria me dá... solidão

Quando a âncora do meu navio encosta no fundo, no chão
Imediatamente se acende o pavio e detona-se minha explosão
Que me ativa, me lança pra longe pra outros lugares, pra novos presentes
Ninguém me sente...
Somente eu posso saber o que me faz feliz
Sou um móbile solto no furacão
Qualquer calmaria me dá... solidão


Escrito por Mel Andrade às 22h10
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