
("Outros se mataram. Outros foram mortos. Também passei por essa prova. Também tentaram me esganar em muito boas condições. Agora, saio de um túnel. Tenho várias cicatrizes, mas ESTOU VIVA.” - Pagú)
A noite finalmente desce sobre meus ombros, mas é de luz que ela se faz. Não é uma luz fraca, daquelas de confissões na cama, daquelas com gosto de vinho barato nos lábios. Não é daquelas azuis raiando madrugadas, nem tampouco de sol em dia de chuva. É luz de sorriso largo, clarão de brasa acesa na garganta. Minha noite demorou; mas veio rodando seu vestido de gambiarras, me ofertou uma máscara bordada, estendi minha mão... e ela me carregou no colo pra que eu não adentrasse sozinha nesse carnaval. Eu estou bailando a passos largos nos braços da minha noite luminosa, de gargalhada alta e cheiro forte, que todo dia me recebe com uma máscara diferente.
Vamos bradar com paixão que a manhã deve ser esganada com um beijo! Vamos dar vivas à purpurina leve que escapa de nossos olhos! Vamos delirar com confetes coloridos!!
Porque hoje vou gemer no ouvido da noite que não sou mais posseira de meus desenganos.
Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua_Sérgio Sampaio
Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca
Que eu fugi da briga
Que eu cai do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa
Mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Ginga pra dar e vender
Eu por mim queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo
Um grilo menos nisso
É disso que eu preciso
Ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval
Eu quero é botar meu bloco na rua...
Há quem diga que eu dormi de touca...
Há quem diga que eu não sei de nada...
Eu quero é botar meu bloco na rua...